Quem faz as suas roupas?

A gente escuta tanto sobre trabalho escravo na moda, que nem nos espantamos tanto quando descobrimos que mais uma marca x super famosa foi denunciada por isso. Essa forma desumana de trabalho está presente  em algumas marcas de luxo e, infelizmente, chega a ser comum nas marcas de fast fashion, que têm como objetivo a produção rápida e barata. Aí é que está o problema: a praticidade e a economia atraem os consumidores, fazendo essas marcas crescerem cada vez mais.

FABRICA-ZARA-2012
Fábrica da Zara – Fonte: Revista L’Officiel Brasil

Apesar de muitas denúncias, a indústria da moda é tão grande que muitas vezes foge do nosso alcance conhecer tudo o que está por trás das grandes marcas. De acordo com um artigo de Renato Cunha (Stylo Urbano), “Muitas das grandes marcas de moda e outras empresas não têm controle total sobre suas cadeias de fornecimento, tornando assim as práticas de trabalho ilegais possíveis. Grande parte do trabalho feito para fabricar uma coleção de roupas é repassado para vários terceirizadores e o rastreamento de todos os passos da matéria-prima até o produto final prova ser bastante difícil, tornando assim as atividades de exploração ilegais passarem despercebidas.”

O que nos cabe é buscar a informação na medida do possível. A partir disso fica a nosso critério decidir se vamos ou não comprar determinado produto.

O coletivo Repórter Brasil criou, em 2013, o aplicativo Moda Livre para facilitar nosso processo de pesquisa. No aplicativo é possível encontrar várias informações sobre diferentes marcas de forma objetiva. Eles avaliam as empresas em três categorias (melhor avaliação, avaliação intermediária e pior avaliação) e apresentam quatro indicadores: Políticas (compromissos assumidos pelas empresas contra o trabalho escravo); monitoramento (medidas de fiscalização das empresas); transparência (ações que comunicam aos clientes o que a empresa faz para combater a escravidão) e histórico (envolvimento das empresas em casos de trabalho escravo).

moda-livre
App Moda Livre – Fonte: Julia Petit

 

Download do aplicativo: IOS Android

A partir da divulgação de casos de trabalho escravo, algumas empresas têm revisto suas formas de produção. Foi o caso por exemplo da Zara, que depois de sofrer infrações por parte de um de seus fornecedores, que usavam condições de trabalho análogas à escravidão, aderiu ao Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo no Brasil.

Parar para pensar “de onde vem” ou “quem fez” essa ou aquela peça não é algo que ocorre com a maioria das pessoas. Pode não parecer “cômodo” num primeiro momento, mas sair dessa zona de conforto no seu dia-a-dia o fará entrar em contato com diferentes possibilidades, conhecer novas marcas e novos estilos. Lembre-se que nem só de marcas conhecidas ou de roupas novas se faz um bom look. Não se limite à praticidade da indústria. Os caminhos são muito mais variados do que você imagina. O primeiro passo é a consciência.

Um monte de links pra você se informar melhor:

O que é trabalho escravo

20 marcas que foram denunciadas por trabalho escravo

As marcas denunciadas por trabalho escravo

Zara é denunciada por escravidão na Argentina

Escravidão é flagrada em oficina de costura ligada à Marisa

Renner está envolvida com trabalho escravo

Índice de escravidão global

Como saber se as roupas que você compra provêm de trabalho escravo?

O trabalho escravo moderno na indústria da moda

Zara aposta em um novo modelo de produção para suas roupas

 

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