Histórias em Cabides: o estilo consciente nos brechós

Araras de roupas organizadas por cores e tamanhos, paredes cheias de quadros e tons alegres, cheirinho de roupa limpa e aconchego. Quebrando cada vez mais a estética de “loja de roupas velhas”, os novos brechós se consolidam em formatos que despertam nos clientes a curiosidade e a criatividade, mas com uma organização tão consciente quanto o consumo que pode ser proporcionado por esses estabelecimentos. Para a produtora de moda Luana Braz, isso é uma forma de quebrar o preconceito que muitas pessoas ainda têm com os brechós. “Às vezes você vai num brechó bagunçado e nem dá vontade de entrar. Você pode achar que a pessoa não tem cuidado com a roupa, além de que não é todo mundo que tem a visão do que vai ficar legal com determinada peça, mas se você chega e vê um manequim montado, já pode ter uma ideia.”, afirma.

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Brechó “Tem Estória Tem Memória”. Foto: Isabela de Magalhães

“Eu gosto de ver as pessoas saindo daqui felizes, ou porque escolheram roupas muito legais ou porque supriram uma necessidade gastando menos e sem explorar mais matéria prima da natureza”, conta Aline Azevedo, que está à frente da loja “Rata de Brechó” desde 2014. Ela começou a trabalhar com o “Rata de Brechó” com a ideia de vender as roupas usadas apenas online, pelo Instagram e Facebook, mas seus clientes queriam ver as peças de perto. Com o tempo, seu apartamento ficou pequeno para tantas roupas e ela se mudou para uma casa no bairro Paineiras, onde fez um espaço destinado a expor as roupas e receber suas clientes. Entre as peças, distribuídas em três salas, é possível encontrar uma grande variedade, desde roupas de décadas passadas até itens semi-novos e alguns garimpados pela proprietária em brechós do exterior. Aline destaca que a organização é essencial para seu trabalho. “É muita coisa, é muito item diferente, nada é igual a nada, se a pessoa não for organizada não dá certo mesmo”.

Diferente da história de Aline, que planejou a criação da loja, a estudante de Engenharia Civil, Mariana dos Santos, responsável pelo “Cacta Brechó”, revela que, no caso dela, tudo simplesmente aconteceu. Enquanto passava por uma fase difícil, sentiu que precisava de algo para se animar. “Eu precisava de algo que me fizesse bem, e nesse momento estávamos reformando aqui em casa, e, para trocar o piso do meu quarto, precisei esvaziar o guarda-roupa.” Foi então que ela percebeu que tinha muita roupa que não usava mais, e sua mãe sugeriu que ela passasse essas peças adiante. “Separei umas roupas que achava bonitas e na mesma hora montei um instagram”, conta Mariana. Hoje, além de manter um perfil no Instagram, onde publica todas as peças disponíveis para venda, ela tem um quarto em casa destinado ao “Cacta”, que tem embalagem especial e etiquetas personalizadas com frases que inspiraram Mariana durante os dias difíceis. Para Mariana, o Brechó foi uma oportunidade de estar em contato com novas pessoas e ter experiências diferentes.

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“Rata de Brechó”. Foto: Isabela de Magalhães

Roupa com afeto
Assumidamente apaixonada por brechós, a produtora Luana disse que descobriu esse amor durante a faculdade de moda, que concluiu em 2015. Hoje, ela diz que 90% de suas roupas são de brechós. Além de gostar da ideia de ter uma peça única, garimpada, Luana conta que fica imaginando a história de quem usou aquela roupa antes. “Eu fico pensando: Onde será que essa pessoa usou essa roupa? O que será que ela fez? Eu acho incrível isso, porque eu enxergo as roupas como um meio de comunicação”, revela.
Foi pensando nas memórias que as roupas carregam que Gisele Nepomuceno e Bárbara Rezende escolheram o nome do brechó “Tem Estória Tem Memória”. Para Gisele, a roupa tem muitos afetos e memórias e o brechó traz isso. “Queremos que essas memórias e histórias não fiquem só entre a gente, que circulem para outros lugares, outros corpos, outros guarda-roupas e criem novas histórias.”, afirma.

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Foto: Isabela de Magalhães

“Breshopper”
Depois de muito ouvir dos amigos questionamentos sobre como encontrar roupas legais em brechós, Luana Braz viu uma oportunidade de oferecer um novo serviço: Breshopper. A proposta, semelhante à de uma personal shopper, que fornece consultoria de compras para seus clientes, tem o objetivo de ajudar as pessoas a garimpar nos brechós. “Eu sento com a pessoa, converso sobre o estilo dela, o que ela estava precisando, queria achar, tudo mais, e a gente parte pra garimpar, a pessoa vai comigo, a gente vai junto, procurando.”. A ideia, segundo Luana, é despertar nos clientes uma consciência do que eles estão vestindo. “Eu quero que a pessoa crie uma relação afetiva com a roupa, e que de fato demonstre a personalidade dela, que não vai ser uma roupa que ela vai usar uma vez e jogar fora.”

Mais informações:

Tem Estória Tem Memória

Rata de Brechó

Cacta Brechó

Luana Braz – produtora e consultora de moda

Leia a primeira edição da Revista Moda Sem Sacola

 

 

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