Do papel para o tecido: o processo criativo da estamparia handmade

Reportagem por Larissa Portela e Paula Filgueiras

Observe o que te cerca neste exato momento. Aposto que em algum lugar, seja presente em uma roupa, sofá, almofada, bolsa ou parede você se deparou com alguma estampa, por mais discreta que seja. Tecidos de todas as cores, caimentos, pesos e texturas, que se comportam de formas distintas podem apresentar infinitas estampas. Todos eles, de alguma forma, traduzem algo para nossa percepção. Uma estampa, seja em qualquer dos objetos antes citados, também pode contar uma história sobre quem usa, quem idealizou ou produziu. O ciclo começa e não para mais.
O processo de criação de cada estampa depende de muitas etapas. É realizado minuciosamente pensando o cliente como um todo e visando atender suas necessidades em diversos aspectos, como nos ensina a designer de superfície Caroline Perillo, no Workshop de Estamparia Criativa, organizado pelo projeto Backstage.
Com a mão na tinta e no pincel, a primeira parte desse processo é idealizada. Depois de determinar a finalidade da estampa, é mãos à obra! Nesse momento a criatividade tem de fluir no seu tempo e o resultado no papel é a primeira etapa da técnica de estamparia handmade. Todo esse trabalho realizado manualmente propicia um ambiente muito tranquilo, como observaram todas as participantes do curso, isso acaba interferindo positivamente na apresentação final do trabalho.

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Foto: Paula Filgueiras

“Liberdade no pincel”

Durante a oficina a designer deixou bem claro a importância de se arriscar no traço, sem medo de errar. É quase um processo de aprendizado terapêutico para se libertar do receio de criar algo a mão livre, porém um passo muito importante para a prática e aperfeiçoamento. A inspiração é infinita. Pode vir da natureza, viva ou morta, do movimento urbano ou de objetos sobre a mesa. A observação é um ponto chave.
A designer de moda Samara Danelon, participante da oficina, já trabalha com modelagem e nos contou que às vezes ficar muito focada em alcançar a perfeição do resultado final atrapalha o processo criativo e que no curso o incentivo foi fazer diferente. “A Carol nos deixou muito livres para encontrarmos nosso próprio estilo.”
Os processos ensinados no workshop foram embasados nas técnicas de aquarela e guache. Parecem simples, mas não se engane! Cada estilo exige técnicas diferentes, desde o papel utilizado até a forma de secagem de cada tinta.

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Foto: Paula Filgueiras

“O desafio do designer de superfície é entender o outro e fazer o trabalho a partir deste entendimento”, afirma Carol Perillo.
Um ponto importante no processo de criação é saber para onde a estampa vai e onde ela será aplicada. A designer nos explicou que quando se lida com pessoas de diferentes partes do Brasil e também do mundo, começa-se a entender suas particularidades. A região, a cultura, o clima, entre outros fatores, têm influência direta na preferência de temas e cores. “O que funciona no norte do Brasil pode não funcionar no sudeste e vice e versa. Para criar uma estampa você precisa entender o outro”, explica Carol, que julga a empatia parte fundamental do relacionamento com o cliente.
Através da estamparia handmade vem a possibilidade de trabalhar com exclusividade e imprimir maior personalidade na criação, o que também depende de uma conexão com o outro para não se tornar um trabalho raso e sem convite a transformação.
Para que o trabalho seja finalizado com a mesma leveza dos desenhos impressos é importante ficar atento às formas de tingimento, já que o processo demanda o uso de muitos químicos prejudiciais ao meio ambiente. Caroline diz que seu trabalho não deixa de ser sustentável pois ela tenta fazer com que os clientes optem por utilizar técnicas menos agressivas com produtos mais naturais. O preço um pouco mais caro se justifica pela causa e também pelo fato de oferecer melhor qualidade e maior durabilidade.

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Foto: Larissa Portela

Toda essa energia de conexão e empatia também estiveram presente nos bastidores do workshop. O projeto Backstage, de Ana Dessupoio, em parceria com o espaço Foca Office, foi o responsável por trazer a Carol diretamente de Belo Horizonte, para transmitir seus conhecimentos em estamparia handmade. Essa parceria vem da motivação em unir forças e movimentar o cenário da moda em Juiz de Fora.
A mensagem deixada no final do workshop é de que se você tem um projeto, se tem algo que gosta e quer correr atrás, não pode ter medo de arriscar! Muitas pessoas participaram do evento e nem todas eram da área. Ana incentiva: “O não a gente já tem. Se faz administração, tem que pensar: como podemos trazer a moda pro meu ramo? É não ter medo de errar e pensar o que vou adicionar dentro do meu contexto.”

Confira a cobertura fotográfica do Workshop acessando a galeria.

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