Brazilian Bombshell – A influência do estilo de Carmen Miranda

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Frutas na cabeça, colares, babados, saias rodadas, turbantes e muitas cores. Com uma estética inconfundível, Carmen Miranda é um ícone constantemente acessado pelo mundo da moda para a representação de uma identidade brasileira, dando territorialidade aos produtos.

Se hoje falamos sobre um DNA brasileiro na moda, almejado internacionalmente e explorado por estilistas da atualidade, devemos lembrar que desde os anos 1930, com o reconhecimento e projeção de Carmen Miranda, esse “DNA” ganhou status e passou de “traje típico” para um orgulho nacional.

Uma das brasileiras mais ilustres do país, na verdade nasceu em Portugal no ano de 1909, sob o nome de Maria do Carmo Miranda da Cunha. Chegou aqui com pouco mais de 10 meses de idade. Sua carreira artística e multimidiática transcorreu entre as décadas de 1930 e 1950. Em 20 anos de carreira, deixou sua voz registrada em 279 gravações somente no Brasil e mais 34 nos Estados Unidos. Balançou a Era do Rádio por aqui e chegou até Hollywood, onde chegou a ser uma das estrelas mais bem pagas. Ficou conhecida como Brazilian Bombshell (bomba brasileira).

Ela nunca foi seguidora da moda. Usava o que sentia que favorecia o seu visual no palco e o seu tipo físico. Sapatos com saltos plataformas de 20cm e turbantes tropicais davam um pouco mais de altura para os 1,52cm da “Pequena Notável”.

Em 1939, Carmen Miranda se destacou na comédia-musical “Banana da Terra”, quando apareceu caracterizada de Baiana, personagem que marcou sua carreira e que ela incorporou até o fim da vida. No musical, cantou a música “O Que é Que a Baiana Tem”, de Dorival Caymmi. Criado pelo consagrado estilista Alceu Penna, o icônico traje de baiana é uma das fantasias brasileiras mais reproduzidas em época de carnaval.

Carmen também ia para a máquina de costura para criar algumas peças, sempre pensando no que queria vestir, mas sem temer a possibilidade de ser copiada. Entre os anos 1930 e 1940, ela ditou moda. Nos Estados Unidos, seus turbantes foram copiados e colocados em vitrines, seus balangandãs influenciaram o mundo do design das joias. Seus figurinos, pesados e estampados, foram fundamentais para que ela alcançasse a notoriedade.

Texto: Isabela de Magalhães
#12DécadasdeModa

A importância de Zuzu Angel para a moda brasileira

Zuzu Angel fez história nas décadas de 1960 e 1970. Nascida em Curvelo, Minas Gerais, a estilista e costureira desenvolvia peças que inovavam por representar uma identidade brasileira: cores tropicais, estampas e o uso de materiais nacionais, como pedras, bambu, madeira e conchas. Zuzu se destacou por  sua linguagem pessoal e autêntica e teve sucesso também no exterior, em uma época em que a moda européia era o grande destaque no cenário mundial.

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Zuzu Angel

O estilo das criações de Zuzu envolvia tudo que tivesse algum ar de brasilidade. Todas as suas produções misturavam delicadeza e tropicalismo, com o uso de chitas, rendas, sedas e fitas, tecidos com estampas de animais ou com temas folclóricos, além de sua marca registrada: o logotipo do Anjo. Ela não costurava apenas para a elite: seu objetivo com a moda era também vestir a mulher comum. Zuzu afirmava: “Eu sou a moda brasileira“, e é inegável que sua carreira deixou um imensurável legado estético, cultural e social para o Brasil.

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Infelizmente, ela não ficou conhecida somente por seu trabalho na moda. Uma de suas maiores lutas foi a busca pelo corpo do filho Stuart Angel, ativista que desapareceu em 1971, após ser preso por militares da ditadura. Depois disso, Zuzu passou a usar a moda como forma de protesto e suas criações incorporavam elementos que denunciavam a situação política brasileira. As estampas tropicais deram lugar a pássaros em gaiolas, tanques, balas de canhão, pombas e, claro, anjos. Para a apresentação dessa coleção, a designer fez um desfile-protesto no consulado brasileiro em Nova Iorque.

A designer se tornou um símbolo da luta contra a ditadura no Brasil. Ela morreu em 14 de abril de 1976, em um suposto acidente na saída do Túnel Dois Irmãos, na estrada da Gávea, no Rio de Janeiro. Sua morte nunca foi esclarecida. Na época, Zuzu espalhou cartas entre seus amigos, com dizeres que mostravam que ela se sentia ameaçada: ”Se eu aparecer morta, por acidente ou outro meio, terá sido obra dos mesmos assassinos do meu amado filho.”, dizia. Uma dessas cartas foi recebida por seu amigo Chico Buarque de Holanda, que a homenageou na canção “Angélica”, com composição feita em parceria com o músico Miltinho:

Atualmente, Zuzu Angel é representada através do IZA – Instiuto Zuzu Angel de Moda, instituição sem fins lucrativos, fundada em 1993 e idealizada por Hildegard Angel, filha da estilista. Localizado no Rio de Janeiro, o instituto tem um dos maiores acervos de moda do país e tem como ideal o resgate e a valorização das diversas manifestações da moda brasileira.

 

Calendário 2020: 12 Décadas de Moda

Zuzu Angel foi um dos ícones de moda escolhidos para compor o nosso Calendário digital 2020 – 12 décadas de moda, projeto realizado em parceria com a ilustradora Ana Luiza Siqueira. Cada mês do calendário representa uma década, passando por 1900 até os anos 2010, com ilustrações que celebram algumas das pessoas que marcaram a história da moda e da arte. Além do calendário, desenvolvemos também uma página de Planner semanal para ajudar na sua organização durante o ano. ❤

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Pratique a moda consciente a partir do seu estilo pessoal

A nossa forma de se vestir é construída a partir das nossas referências estéticas, contextos, histórias e uma soma de muitos fatores que podem variar de pessoa para pessoa. Estilo é a maneira como podemos expressar os nossos pensamentos, sentimentos e emoções, resultando em características estéticas que, juntas, fazem parte da construção da nossa imagem como indivíduos singulares.

Compreender o estilo pessoal é uma forma de se conhecer melhor. Por outro lado, quem se conhece e se entende nesse sentido, faz escolhas mais conscientes na hora de decidir o que entrará no seu guarda-roupas, sabendo o que realmente gosta de usar, que fará sentido e terá funcionalidade.

“Moda consciente” é sobre consumir de forma ética e com respeito ao meio ambiente, mas também é sobre se respeitar. Respeitar o seu estilo, seus valores e seus gostos pessoais.

Aqui vão algumas dicas simples para começar a praticar a moda consciente voltando o olhar para você e para o seu estilo:


1- Entenda o seu armário

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Organize seu guarda-roupas, visualize todas as peças e procure entender o que você já tem ali. Qual é o tipo de roupa que você mais usa? E quais são as roupas que ficam sempre encalhadas? O que você tem em excesso?

2- Analise suas roupas favoritas

Observe as roupas que você mais gosta e que fazem você se sentir bem: Quais características elas têm em comum? Pense em quais características são mais importantes para você: é um tipo de tecido? Algum detalhe estético? A cor? A simplicidade? A modelagem diferente? A versatilidade?

3 – Saiba do que você não gosta.

Descubra as características que você não gosta, pensando nos motivos que fazem você não usar ou se sentir desconfortável com alguma peça.

4 – Faça escolhas atemporais:

Na hora de escolher novas roupas, procure adquirir peças que vão durar além daquela temporada, que combinam com o que você já entendeu sobre você e continuarão fazendo sentido quando a tendência passar

Essas são dicas simples, mas eu espero que elas possam te ajudar e inspirar de alguma forma. ❤

 

*A foto de capa desta matéria é do editorial “Natureza e Movimento”, fotografado no primeiro semestre de 2018.

Zelda Wynn Valdes e a sensualidade da década de 1940

Zelda Wynn Valdes foi uma estilista pioneira nos anos 1940. Consolidada como uma das grandes protagonistas da moda afro americana, começou sua carreira em um período marcado pela segregação racial nos Estados Unidos, situação que teve impacto nas mais diversas áreas, incluindo a moda.

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Nascida na Pensilvânia, Zelda se diferenciava ao dar espaço para que suas clientes opinassem no processo de elaboração das roupas. Assim, ela produzia peças que refletiam a identidade de quem as usava, mas ainda sim carregando a essência criativa da estilista: sensualidade e sofisticação.

Ela foi presidente da NAFAD – Associação Nacional de Designers de Moda e de acessórios – uma associação de Designers Negros fundada por Mary Mcleod Beth com o objetivo de impulsionar e fortalecer estes profissionais de Design.

Em 1948, a designer abriu sua primeira loja na Broadway, sendo a primeira estilista negra a conquistar esse feito. Em 1950, Valdes muda o endereço de sua loja para West 57th Street, deixando de ser uma loja e passando a ser a Boutique “Chez Zelda”. A Clientela de Zelda era composta em sua maioria por artistas do sexo feminino, como Mae West, Ella Fitzgerald, Dorothy Dandridge, Eartha Kitt, Marian Anderson,Joyce Bryant, Sarah vaughan, entre outras.

O estilo da designer

Zelda ficou marcada por suas criações sensuais e sofisticadas, que refletiam o glamour dos anos 1940 e 1950.

Um de seus traços mais característicos é a grande presença de cinturas marcadas, com o quadril destacado. Muitas de suas criações têm a modelagem com a silhueta no estilo “sereia”, com a peça ajustada ao corpo e uma abertura abaixo dos joelhos. Além disso, a sensualidade fica ainda mais em evidência com modelos tomara-que-caia que deixam os ombros à mostra, e o uso de tecidos com transparência. Bordados e tecidos brilhantes confirmam o “DNA” glamouroso das criações de Zelda Wynn Valdes.

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Pelas características de seu trabalho, a estilista chamou a atenção de Hugh Henfner e foi convidada para desenhar os primeiros trajes das coelhinhas da Playboy.

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Zelda Wynn Valdes é um dos maiores marcos na História da moda, não só daquela Afro Americana. Até hoje seus projetos são utilizados como referências para novos Designers e muitas de suas criações estão incorporadas em projetos de estilistas posteriores à sua carreira.

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Zelda Wynn Valdes foi um dos ícones de moda escolhidos para compor o nosso Calendário 2020 – 12 décadas de moda, projeto realizado em parceria com a ilustradora Ana Luiza Siqueira. Cada mês do calendário representa uma década, passando por 1900 até os anos 2010, com ilustrações que celebram algumas das pessoas que marcaram a história da moda e da arte. Além do calendário, desenvolvemos também uma página de Planner semanal para ajudar na sua organização durante o ano. ❤

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As criações construtivistas de Varvara Stepanova

Varvara Stepanova (1894-1958) foi uma das principais figuras do movimento artístico-político revolucionário russo. Ela atuou como designer, pintora, fotógrafa, tipógrafa, ilustradora, cenógrafa e estilista, além de ter sido um dos membros fundadores do Grupo de Trabalhos Construtivistas no Inkhuk (Instituto de Cultura Artística), que mais tarde publicaria o primeiro Manifesto Construtivista. Stepanova acreditava no design como uma ferramenta de educação e informação e compôs a cadeira de professora de design têxtil nas oficinas da escola russa Vkhutemas, em Moscou.

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A participação da Rússia na Primeira Guerra Mundial prejudicou o abastecimento das cidades, causando revoltas e greves que levaram a deposição do czar Nicolau II em março de 1917, seguida de crises até a Revolução Vermelha e um longo período de guerra civil que durou até 1921. Em uma Rússia pós-revolucionária, se fazia necessária a reestruturação da sociedade para um cotidiano que vivesse os ideais da revolução. Assim nasce o movimento artístico de vanguarda Construtivismo, que apresenta a proposta de “objeto construtivista”.

A proposta consistia em levar artistas construtivistas para as indústrias para que eles pudessem transformar as relações de produção e as relações das pessoas com os produtos. Os objetos construtivistas seriam produzidos em massa para racionalizar o desejo dos consumidores. Uma contrapartida à mercadoria capitalista. É neste contexto que a Primeira Estamparia Estatal da União Soviética convida as artistas plásticas Liubov Popova e Varvara Stepanova para criar estampas para seus tecidos.

A estamparia construtivista

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Um dos desafios para as artistas construtivistas ao começar a trabalhar na Primeira Estamparia de Algodão Estatal foi desenvolver padrões pequenos e que fossem facilmente replicáveis. Popova e Stepanova se dedicaram aos estudos sobre estamparia têxtil e decidiram trabalhar com formas simples e geométricas, que atendiam aos critérios estéticos construtivistas e davam sentido mecanizado aos padrões. Tais formas geométricas também agregavam outro significado às estampas: a geometria era associada às máquinas e aos trabalhadores industriais, que no contexto pós-revolucionário, eram o centro da produção soviética. Para reduzir custos, decidiram também trabalhar com uma gama limitada de cores.

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Os efeitos óticos obtidos no desenho das estampas das duas artistas eram intensificados quando estampados em tecido, ganhando mais possibilidades de movimento. Os efeitos eram formas de atribuir aos tecidos o caráter construtivista, tornando-os objetos ativos e prontos para a transformação da vida cotidiana.

Stepanova e a Prozodezhda

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Os trabalhos mais aclamados de Varvara foram aqueles feitos na área têxtil. Em 1923, ela publicou um artigo chamado “A Roupa de Hoje é a Roupa de Produção”, onde afirmava que a moda ficaria para trás, por ser uma representação do mundo burguês, e sugeria o uso da prozodezhda, a chamada “roupa de produção”. Essa seria uma roupa desenhada de acordo com funções específicas, sem decorações e ornamentos. O artigo foi publicado com desenhos feitos por ela de como seriam as roupas. São desenhos geométricos, rígidos e sem diferenciação de gênero. A prozodezhda também abolia as preferencias estéticas individuais ou diferenças sociais, enfatizando seu papel prático.

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Para grande parte da população a prozodezhda não foi aceita como uma roupa para o
dia-a-dia, mas como um traje para fins específicos, como a prática de esportes ou para figurinos de teatro. A roupa parecia ter sido desenhada para um futuro que ainda seria construído, onde a relação do consumidor com a roupa seria mais racionalizada.

Varvara Stepanova teve um marcante papel enquanto artista e teórica da revolução. Apesar dos poucos estudos ocidentais em torno da Revolução Russa, principalmente em torno das mulheres que faziam parte dela de forma ativa, sabemos que foi um período significativo e efervescente. As ideias do período, vanguardistas e sociais, um século depois ainda dialogam com a atualidade.

 

Calendário 2020: 12 Décadas de Moda

Varvara Stepanova foi uma das pessoas que escolhemos para compor o nosso Calendário 2020 – 12 décadas de moda, projeto realizado em parceria com a designer e ilustradora Ana Luiza Siqueira. Cada mês do calendário representa uma década, passando por 1900 até os anos 2010, com ilustrações que celebram algumas das pessoas que marcaram a história da moda e da arte. Além do calendário, desenvolvemos também uma página de Planner semanal para ajudar na sua organização durante o ano. ❤

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Ilustração de Ana Luiza Siqueira para o calendário “12 décadas de Moda”

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A moda passa, Chanel permanece

Dona de uma personalidade autêntica, Coco Chanel fez seu estilo pessoal virar moda, criando uma marca que revolucionou o guarda-roupa feminino a partir da década de 1910. Desde suas primeiras criações, a estilista teve uma enorme importância para o desenvolvimento do setor da moda mundial. Em uma de suas falas mais famosas, ela diz: “a moda passa, o estilo permanece.” Não é difícil comprovar a afirmação, pelo menos se observamos a trajetória da criadora revolucionária, dona de um estilo ao mesmo tempo ousado e clássico. Coco segue presente e relevante no imaginário da moda mundial, e a identidade da estilista permanece nas coleções da grife que carrega seu nome há mais de cem anos. 

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Gabrielle “Coco” Chanel nasceu em 9 de agosto de 1883 na cidade de Saumur, na França. Mademoiselle, como ficou conhecida ao longo de seus 88 anos de vida, era uma dama de ferro sonhadora. Sua primeira loja, a Casa Chanel (Chanel Modes) foi aberta em 1910, no primeiro piso de um edifício em Paris. No começo, vendia chapéus femininos e acessórios. O estilo simples, sem grandes adornos, encantou as damas que frequentavam o jóquei clube da cidade. A partir desse momento, Coco Chanel passou a dedicar-se à costura. Em 1913, antes da Primeira Guerra Mundial, inaugurou duas butiques de moda, em Deauville e em Paris.

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Durante a guerra, que começou em 1914, os homens partiram para a batalha e as mulheres tiveram que preencher a ausência masculina no campo de trabalho. Com o início de uma emancipação feminina, a moda teve que se adaptar à realidade do trabalho feminino em diferentes áreas. O vestuário passou a ser mais funcional, além de simples. Afinal, ninguém queria ostentar roupas sofisticadas e extravagantes em tempos de guerra.

Chanel fez e vendeu vestidos de “jérsei”, um tecido de malha leve e barato, que o fabricante temia não conseguir vender para mais ninguém. Inspirando-se no armário masculino, a mademoiselle propôs também tailleurs nesse tecido, sendo a grande divulgadora desse tipo de traje na versão feminina. Também nesta época, começou a criar roupas esportivas para mulheres, como, blusas com golas rolês, inspiradas nas roupas dos marinheiros, feitas de malha e tricô. Quem acompanhava a evolução do setor de moda soube que o mundo nunca mais seria o mesmo.

 

A estilista costumava dizer que o mundo da moda estava cheio de homens que não sabiam como proporcionar o conforto às mulheres. Eliminando faixas e corpetes, saias armadas e cheias de babados, Coco permitiu que suas clientes se sentissem livres, vestidas de maneira prática. Ela não se importava em ser copiada por outros designers: o que mais a alegrava era ver mulheres usando suas inovações.

Em 1915, em Biarritz, inaugurou a primeira maison de costura, já contando com 300 funcionários. No ano seguinte, fixou sua boutique no número 31 da Rue Cambon, a sede da marca e a mais antiga loja Chanel em funcionamento. Em 1918, Chanel adquiriu o edifício inteiro do número 31. A loja atual ocupa o piso térreo, em salas que antes eram usadas para recepcionar os clientes. 

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O famoso nº 31 da Rue Cambon, em Paris.

 

O segredo do sucesso da estilista era simples: ela criava roupas que gostava de vestir. Desenvolvia suas ideias diretamente no tecido, no corpo da modelo. Isso porque ela dizia que era a roupa que deveria se adequar ao corpo, e não ao contrário. Suas inovações transformaram a silhueta feminina. O novo comprimento das saias mostrou os tornozelos das mulheres, que nos pés passaram a calçar sapatos confortáveis de bicos arredondados. O cardigã, os conjuntos de tweed, o vestido preto “básico” e as pérolas tornaram-se marcas registradas do “estilo Chanel”. Ao longo de toda sua história, a marca evita a efemeridade da moda, reorganizando e propondo elementos que levam esse estilo à perenidade e eternidade.

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Calendário 2020: 12 Décadas de Moda

Coco Chanel foi um dos ícones de moda escolhidos para compor o nosso Calendário 2020 – 12 décadas de moda, projeto realizado em parceria com a ilustradora Ana Luiza Siqueira. Cada mês do calendário representa uma década, passando por 1900 até os anos 2010, com ilustrações que celebram algumas das pessoas que marcaram a história da moda e da arte. Além do calendário, desenvolvemos também uma página de Planner semanal para ajudar na sua organização durante o ano. ❤

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O encontro entre a arte e a moda nas criações de Emilie Flöge

Moda é arte? A moda, como um fenômeno social, é uma expressão que nos mostra a imagem de seu tempo. Entre as definições de arte, encontramos a concepção de que arte é “construção, conhecimento e expressão”. É natural que os universos da moda e da arte se cruzem, provocando reflexões sobre a aparência, sobre a imagem do corpo e do indivíduo, sobre os tempos e modos de fazer, ou diretamente sendo fonte de referência mútua. A moda se alimenta da arte e vice-versa.

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Em diversos momentos da história, podemos observar essa relação de forma explícita. Ainda na época do surgimento da Alta-Costura, próximo ao ano de 1850, o costureiro Charles Frederick Worth, considerado o “pai da alta-costura” se comparava a Delacroix e Ingres, revelando suas fontes de inspiração que estavam nos museus. Já no início do século XX, a estilista austríaca Emilie Flöge criava vestidos avant garde que inspiraram obras de arte.

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Emilie Louise Flöge nasceu no dia 30 de Agosto de 1874 em Viena. Começou sua carreira como costureira e tornou-se posteriormente designer de moda e empresária. Em 1904, ao lado de sua irmã Pauline, abriu uma loja-atelier de moda conhecida como Schwestern Flöge (Irmãs Flöge), localizada em uma das principais avenidas da capital austríaca. O atelier era ligado à Wiener Werkstätte, empresa que buscava trazer as ideias de renovação artística da Secessão de Viena para o design de objetos cotidianos.

O movimento conhecido como Secessão Vienense era formado por um grupo de 40 jovens intelectuais que eram contra os princípios conservadores das artes da época. A Secessão, fundada em 1897 e comandada pelo pintor simbolista Gustav Klimt, tinha o objetivo de unificar a pintura e as artes aplicadas, defendendo ideais que dialogavam com outros movimentos, como o art nouveau.

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Gustav Klimt e Emilie Flöge

A história diz que Klimt e Flöge eram grandes amigos e companheiros. A parceria rendeu clientes tanto para ela quanto para ele. Por trás de vários quadros de Klimt está Emilie, a criadora dos vestidos de estilo-mosaico eternizados nas pinturas, como por exemplo o vestido da obra “Retrato de Adele Bloch-Bauer” (1907).

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Retrato de Adele Bloch-bauer I

Os vestidos de Emilie eram feitos com tecidos vibrantes e coloridos, idealizados para serem usados sem espartilho – um choque para o conservadorismo vigente – pendiam livremente nos ombros, tinham mangas largas e eram confortáveis. Flöge foi fortemente inspirada pelo movimento feminista que pregava um estilo mais prático e confortável de se vestir.

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O estilo boêmio de Klimt também influenciou para as criações da estilista, consideradas “peculiares” para a época. Suas criações artísticas e ousadas não foram bem sucedidas nas vendas. Mas enquanto os vestidos mais convencionais vendiam melhor na Schwestern Flöge, Klimt pintava as damas da alta sociedade vienense vestindo as peças mais vanguardistas criadas por sua amiga.

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Retrato de Emilie Flöge, por Gustav Klimt (1902)

 

Calendário 2020: 12 Décadas de Moda

Emilie Flöge foi um dos ícones de moda escolhidos para compor o nosso Calendário 2020 – 12 décadas de moda, projeto realizado em parceria com a ilustradora Ana Luiza Siqueira. Para iniciar 2020 com muita inspiração, olhamos para trás e recordamos a história da moda e da arte desde 1900 até aqui. Então desenvolvemos um calendário que celebra pessoas que marcaram época e se tornaram ícones para a moda. No mês de janeiro, destacamos as criações de Emilie Flöge,  e, entre as outras pessoas homenageadas ao longo dos meses estão: Carmen Miranda, nossa eterna “Brazilian Bombshell”, a estilista brasileira Zuzu Angel e a designer japonesa Rei Kawakubo.

Adquira o arquivo digital do calendário (pdf) em: Calendario2020.iluria.com

Salada de frutas no guarda-roupa: Conheça 4 tecidos inusitados e sustentáveis

Com a necessidade de inovação na indústria têxtil, algumas empresas têm investido em pesquisas para desenvolver tecidos que gerem menor impacto ambiental do que os materiais tradicionalmente usados. O algodão comum, por exemplo, é um dos tecidos que mais geram poluição, sua produção demanda o gasto de muita água, inseticidas e pesticidas. Já temos em contrapartida o algodão orgânico, opção que economiza água e preserva a saúde do solo no plantio. Mas a moda sustentável foi além, e, na busca por alternativas ecológicas para o couro e a seda animal, os resíduos das frutas tornaram-se matéria-prima.

Confira abaixo 4 tecidos sustentáveis criados a partir de frutas:

1. PIÑATEX (Couro de Abacaxi):

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Piñatex – o couro feito de folhas de abacaxi

O Piñatex é uma imitação de couro feita a partir das folhas do abacaxi. O tecido foi criado pela designer Carmen Hijosa, nas Filipinas. Na década de 1990, depois de trabalhar por muitos anos na indústria do couro, Carmen recebeu um convite para atuar no Centro de Design das Filipinas. Por lá, a designer começou seus estudos em busca de alternativas ao couro, tendo como objetivo o desenvolvimento de um material sem nada de origem animal e que pudesse gerar o menor impacto possível para o meio ambiente, além de contribuir com comunidades agrícolas. Para a produção do Piñatex, o resíduo que seria descartado é reaproveitado. O “couro” produzido é tão forte como o de origem animal e pode ser utilizado para fabricar roupas, calçados e acessórios. Vale destacar que o tecido é mais barato e mais leve do que o couro animal.

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Piñatex

Diversas marcas já utilizaram o tecido de abacaxi em suas criações, como por exemplo a marca Hugo Boss, que possui uma coleção de calçados feitos com o Piñatex.

2. PELLEMELA (Couro de Maçã):

A maçã é o componente do “couro” Pellemela

A maçã é outra fruta que vem sendo utilizada para contribuir com a moda sustentável. A empresa italiana Frumat aproveita as sobras da fabricação de sucos de maçã para criar um material compostável e reciclável, que se parece com o couro, nomeado Pellemela. Esse tecido é feito com 50% de fibra de maçã reciclada e 50% de poliuretano. O material originado permite a criação de roupas, bolsas, calçados, cintos, carteiras, e até artigos de papelaria.

Em 2017, a estilista eslovena Matea Benedetti, que já costumava utilizar matérias primas sustentáveis, apresentou sua coleção primavera/verão 2018, sendo a primeira marca de moda a criar roupas com o couro de maçã. Esse tecido é respirável, é impermeável e vegano.

Criação de Matea Benedetti

3. WINELEATHER (Couro da Uva):

Anualmente a Itália produz cerca de 26 bilhões de litros de vinho, gerando aproximadamente sete bilhões de quilos de bagaço de uva. Observando isso, a empresa italiana Vegea criou um tecido parecido com o couro, feito a partir dos resíduos da indústria do vinho.

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Wineleather

O produto é o Wineleather, um tecido criado por um tratamento especial de fibras e óleos contidos nos bagaços da uva, obtidos a partir de peles, sementes e caules da fruta utilizados na produção do vinho. Segundo os cálculos feitos pela Vegea, o volume de bagaços de uva gerados a partir da produção de vinho pode ser convertido em três bilhões de metros quadrado de Wineleather.

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Wineleather

4. ORANGE FIBER (Seda de Laranja):

Em 2014, duas empresárias italianas, Enrica Arena e Adriana Santanocito desenvolveram a Fiber Orange, uma seda vegana produzida com o material reaproveitado da indústria de suco de laranja. Adriana é designer com especialização em Materiais Inovadores e Enrica é formada em Comunicação e Relações Internacionais. Elas são da Sicília, mas se conheceram e moram juntas em Milão. Na Sicília, como em outras províncias da Itália, há grande produção de laranja para fazer suco. Assim, as cascas, bagaços e sementes são descartadas, gerando muito resíduo.

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Orange Fiber

Feita a partir da celulose do bagaço, a seda é leve, suave e pode ser opaca ou brilhante. Em 2017, a grife de luxo Salvatore Ferragamo criou uma coleção em parceria com a Fiber Orange. A H&M, em sua “Conscious Exclusive Collection”, também escolheu a fibra para fazer parte da coleção.

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criação da grife Salvatore Ferragamo com o uso da Orange Fiber

Gastronomia consciente: A história da marca de alimentos veganos “Delícias da Sara”

Hoje, 1º de outubro, é comemorado o Dia Mundial do Vegetarianismo. A data foi estabelecida em 1977 pela Sociedade Vegetariana Norte Americana com o objetivo de divulgar os inúmeros benefícios do vegetarianismo para as pessoas, os animais e o meio ambiente. Em Juiz de Fora, existem restaurantes especializados, lanchonetes, bares com opções alternativas, feiras e pequenos empreendedores que contribuem para fortalecer a causa e incentivar novos adeptos.

A marca de gastronomia vegana Delícias da Sara nasceu junto com a mudança de estilo de vida da empreendedora e estudante de gastronomia Sara Manso. Conversei com a Sara durante o rodízio de caldos que aconteceu no mês passado no Espaço Contemporão. Por lá, a chef preparou um menu completo com diferentes sabores. Ela realiza eventos similares periodicamente nesse aconchegante espaço localizado na Rua Constantino Paleta, nº 174. Durante nossa conversa, a empreendedora revelou um pouco sobre sua relação com o veganismo e o processo de eliminar os itens de origem animal da alimentação.

É importante destacar que o Veganismo, para além da alimentação vegetariana estrita, é uma forma de viver que procura excluir, na medida do possível e do praticável, todas as formas de exploração e crueldade contra animais, seja na alimentação, vestuário ou qualquer outra finalidade. É comum para todos os veganos uma alimentação vegetariana livre de produtos de origem animal, como carnes, ovos, leite e mel.

 

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Sara Manso

Até a fase adulta, Sara era uma entusiasta de carne. Aos 22 anos de idade, começou a ter contato com o vegetarianismo por meio de amigos. Naquele momento, começou a ter um pouco de consciência, queria parar de comer carne, mas ainda não conseguia. Anos mais tarde, sua mãe precisou parar de consumir laticínios e glúten devido a uma doença no intestino:

“A gente descobriu que essa doença, diverticulite, tem tudo para ser hereditária. Hoje em dia eu já sinto um pouco dos sintomas, minha irmã sente, então o primeiro passo que eu tomei foi de também parar de consumir laticínios.”  

Foi nessa necessidade, por saúde, que surgiram seus primeiros experimentos com a gastronomia sem leite, mas foi sua antiga instrutora de pole dance quem a incentivou a começar a produzir comida vegana.

Com o tempo, Sara passou a conviver com pessoas do movimento vegano. Sua decisão em aderir a esse estilo de vida veio após assistir à um vídeo que mostrava uma vaca correndo atrás de um filhote recém nascido que estava sendo levado por um fazendeiro. Isso foi há 3 anos e meio, e o vídeo foi definitivo para ela, que ficou marcada pela imagem e nunca mais consumiu nada de origem animal.

“Não abandonei a carne porque não gosto de carne, abandonei porque não posso. E eu não posso por uma questão de princípios.”

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Foto: Isabela de Magalhães

Ao falar sobre o que mudou depois da decisão, afirma que a transformação foi de dentro para fora:

“Eu sou uma pessoa espiritualista, frequento terreiro de umbanda, acredito muito que a gente carrega carga de energia daquilo que a gente consome. Então eu acredito que fiquei mais leve, hoje eu sou muito mais fácil de lidar comigo mesma, com a minha consciência, do que quando eu consumia carne. Era como se eu estivesse carregando uma culpa que eu mesma não sabia que tinha”.

Sara considera o veganismo um ativismo político, que, como todo ativismo, tem uma forma de nos acordar.

“Antes de ser vegana eu era feminista, militante negra, militante lgbt. No veganismo você tem empatia por todos os seres, principalmente por aqueles que não podem falar por eles mesmos. Os seres senscientes que menos têm voz são as crianças e os animais, dois grupos muito necessários de um auxílio. Não que eu tenha que falar por eles, tomar o lugar deles, mas eu preciso fazer alguma coisa.”

Além disso, Sara também destaca a questão ambiental:

“Eu quero viver até os meus 100 anos de idade com tranquilidade. O veganismo é necessário para que eu e os que vierem depois de mim tenham uma vida digna. Não é só dignidade dos animais, é sobre a dignidade dos humanos também.”

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Foto: Isabela Magalhães

Hoje a marca “Delícias da Sara” oferece alternativas para queijos, manteigas, creme de avelã, brownies, entre outros alimentos, além de realizar eventos gastronômicos com cardápios específicos. Sara, que faz os produtos e gerencia a marca sozinha, conclui nossa conversa falando sobre a participação e apoio essencial de algumas pessoas para a construção da marca. “A receita da manteiga foi desenvolvida em parceria com uma amiga, Simone. A gente se ajudou mutualmente em um momento muito difícil das nossas vidas e ela me fez dar o pontapé inicial para ter minha marca. Ela, minha mãe, meu atual companheiro, minha irmã, são as pessoas que mais me apoiam, se não fossem essas pessoas eu talvez não estivesse com a empresa.”, comenta a empreendedora.

A “Delícias da Sara” atua online e também está três pontos físicos de venda:

Galeria Secreta

Espaço Contemporão

Box do Feijão

Siga no Instagram e acompanhe as novidades e eventos: @deliciasdasara01

Se tornar vegetariano é uma atitude sustentável. Se você ainda não consegue se imaginar sendo vegano, vegetariano ou ovolactovegetariano, considere reduzir, aos poucos, o consumo de alimentos de origem animal nas suas refeições. Cada mudança importa e é válida! E continue acompanhando o blog, vamos falar muito mais sobre esse assunto por aqui.

O que é moda?

Moda é muito mais do que um objeto de consumo: é criação, memória, identidade, política, discurso, arte, comunicação. Não cabe na sacola.

Foi com o pensamento acima que surgiu o nome desse blog, “Moda Sem Sacola”. Eu sempre me interessei por moda, mas principalmente pela multiplicidade de sentidos que ela tem. Com origem do latim modus, que significa maneira, a moda é inicialmente denominada como um modo individual de fazer, ou uso passageiro de determinada forma. Maneira de ser, modo de viver e se vestir, como afirma a autora Renata Pitombo Cidreira no livro Os Sentidos da Moda.

Joguei a pergunta “O que é moda?” lá no Instagram e a resposta que mais se repetiu foi que moda é expressão. Acho essa definição ótima, porque cada roupa que adotamos está ligada a certos aspectos do comportamento e da nossa personalidade, e, ao mesmo tempo, expressa muitas histórias além da nossa própria, comunicando sobre a época, grupo ou até mesmo sobre o designer responsável pela criação da peça.

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De acordo com o livro História Social da Moda, da autora Daniela Calanca, “com o termo ‘moda’ entende-se, especificamente, o fenômeno social da mudança cíclica dos costumes e dos hábitos, das escolhas e dos gostos.” Podemos dizer que existe moda quando o “amor pelo novo” se torna um hábito, uma exigência cultural. O conceito de moda não diz respeito somente às roupas, mas a todos os meios de expressão e transformação do homem.

A roupa como segunda pele

A vestimenta é uma das muitas modalidades de interferência sobre o corpo. Quando nos vestimos, criamos a partir do que é natural, expondo o corpo a um tipo de metamorfose. Transformando esse corpo, a roupa age como uma segunda pele, adaptável à nossa vida e funções que desempenhamos.

Como pontua Renata Pitombo Cidreira, “A indumentária funciona, muitas vezes, como uma máscara, permitindo-nos incorporar vários personagens, fazendo-nos atuar conforme o figurino.” Para exemplificar, eu penso na sensação de usar um vestido longo, formal, com sandálias de salto-alto, algo que é distante da minha rotina: enquanto tento me equilibrar no desconforto dos saltos, curto a sensação de me sentir uma princesa com o vestido esvoaçante. O traje de festa, na minha vida, é uma máscara que gosto de experimentar de vez em quando.

Isabela de Magalhães
Eu em uma das roupas mais especiais do meu armário ❤

Portar uma vestimenta é um ato de significação muito além do pudor, proteção ou adorno. A indumentária e a moda podem refletir, reforçar ou disfarçar sentimentos. São modos pelos quais podemos nos diferenciar e declarar as nossas singularidades.