2º Encontro Moda Sem Sacola: Marcas locais, criatividade e cultura

Em Juiz de Fora tem muita gente criativa, dos mais diversos segmentos, com marcas autorais de qualidade e que todo mundo deveria conhecer. Comprar “de quem faz” e apoiar pequenos empreendedores é uma forma de consumir com mais consciência e as feirinhas super ajudam nesse processo. Por meio de eventos assim, você tem a oportunidade de conhecer algumas dessas pessoas e descobrir trabalhos incríveis! Esse é um dos motivos que enchem a gente de orgulho pelo Encontro Moda Sem Sacola.

 

encontro 2 - foto Isabela Magalhães 02
Um dos expositores da feira, o brechó Clandê. Foto: Isabela de Magalhães

Selecionamos os expositores e reunimos todos em uma tarde linda, cheia de criatividade e inspiração, proporcionando que mais pessoas tenham contato com essas marcas e invistam em histórias e experiências.

Nosso 2º Encontro aconteceu no dia 16 de março, sábado, no mesmo lugar que nos recebeu para a primeira edição. O Tenetehara, espaço cultural no Bairro São Pedro, foi preenchido com uma programação que envolveu oficina, feira, palestra, música e teatro.

encontro 2 - foto Isabela Magalhães 25
Nosso Encontro foi no Tenetehara Instituto Cultural, em São Pedro. Foto: Isabela de Magalhães

O propósito do Moda Sem Sacola é dar destaque para a moda slow, a sustentabilidade, criatividade e consumo consciente, principalmente em Juiz de Fora. Nosso evento é uma maneira de tornar esse propósito ainda mais concreto, com ações que deixam esses temas mais próximos da população.

Oficina

A programação do Encontro começou às 9 horas, com a oficina de Cosméticos naturais para uso pessoal. Ministrada por Luciana Nogueira, da marca Capim Limão, a oficina possibilitou que as participantes fizessem seus próprios produtos. O objetivo foi despertar o uso dos cosméticos naturais no dia-a-dia de cada um e proporcionar uma experiência mais consciente com o uso de cosméticos.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Palestra

Vivemos a real necessidade da substituição de uma economia linear, baseada no consumo insustentável por uma economia circular, baseada em uma nova forma de consumo. Ana Carolina Marsicano, mestre em Ciências Sociais, realizou uma palestra sobre consumo e política, abordando a necessidade de um novo sistema para que a sustentabilidade seja possível.

encontro moda sem sacola - palestra 2.png
Foto: Jair Roberto

 

Feira

A feira do 2º Encontro Moda Sem Sacola reuniu 14 marcas de Juiz de Fora e região, de seguimentos diversos, entre marcas autorais de moda, brechós, produtos de artesanato, comidas veganas, cosméticos, joias e decoração. A feira também contou com apresentações de música e teatro, com a presença do grupo teatral Coletivo Feminino, que se apresentou com a cena curta “Boneca” e uma leitura dramatizada, e o show do músico Igor Silveira, que encerrou a programação com músicas autorais e algumas versões de músicas de outros artistas.

Este slideshow necessita de JavaScript.

E o 3º?

Em breve a gente divulga a próxima data. Mas é claro que teremos novos eventos e já estamos nos preparativos para o 3º Encontro Moda Sem Sacola! ❤

encontro moda sem sacola  - isabela magalhães e lessandra santos.png
Nós, a equipe organizadora do evento: Isabela e Lessandra 🙂 ❤

2º Encontro Moda Sem Sacola

Apoio: Tenetehara Instituto Cultural

Produção: Isabela de Magalhães e Lessandra Santos

Fotos: Isabela de Magalhães e Jair Roberto

Mão na massa: Fresta Coletivo realiza evento de oficinas

Esse post é pra quem ama atividades manuais: no dia 16 de fevereiro o Fresta Coletivo promove seu segundo evento, lá na Regaliz Confeitaria e Padaria Artesanal (Rua Delfim Moreira, 126, Granbery). Dessa vez, o grupo preparou uma programação com oficinas criativas pra quem quer aprender uma nova técnica (e pra quem já é experiente também!) É pra colocar a mão na massa, literalmente!

Falamos sobre o lançamento do Fresta em dezembro do ano passado, nesse post aqui. O Coletivo surgiu para unir os produtores criativos de Juiz de Fora com ações que contribuam com o consumo consciente e com as marcas locais. O principal objetivo desse evento de oficinas é apoiar a economia criativa e disseminar conhecimento compartilhando saberes e ofícios e com a troca de experiências entre os produtores e o público.

Cada oficina tem horários e valores específicos e as inscrições devem ser feitas com antecedência. Confira a programação:

Oficina de Introdução à Cerâmica

Lívia Stefani / Atelier Mínima

09:00 às 13:00 / Valor: R$150,00

Todos os materiais e queimas inclusos no valor.

A Oficina de Introdução à Cerâmica é uma oportunidade para quem quer conhecer um pouco mais sobre o universo da cerâmica e aprender sobre os processos de produção. Serão ensinadas as principais técnicas de modelagem manual e cada aluno poderá criar suas peças de forma livre.

 

Oficina de Cerâmica Módulo 2

Lívia Stefani / Atelier Mínima

14:30 às 18:00

Valor: R$ 180,00

Todos os materiais e queimas inclusos no valor.

Voltada para quem já teve um primeiro contato com a cerâmica e a modelagem manual, nessa oficina será realizada a modelagem acompanhada de um par de xícaras com pires. Cada participante irá construir suas peças a partir de um projeto específico fornecido pelo Atelier Mínima.

 

Oficina de Vasos de Concreto

Vanessa Moreira / Cinza Flor Ateliê

09:00 às 11:00

Valor: R$ 150,00

A Cinzaflor Ateliê utiliza do concreto como matéria prima para objetos de decoração. Na oficina, os participantes vão aprender o passo a passo da técnica de produção do vasinho de concreto e aprender a técnica da massa marmorizada.

 

Oficina de Macramê

Mariana Procópio / (hanger de plantas)

09:00 às 12:00

Valor: R$120,00

Em 2018, entrevistamos a Mariana e fizemos uma matéria sobre o macramê, que você pode conferir aqui. No evento, você poderá experimentar dessa arte criando um lindo hanger de plantas para sua casa.

 

Oficina Infantil (para crianças a paritr de 5 anos)

Gabriele Teodoro / Projeto Arte

09:00 – 10:30 e de 10:30 as 12:00

Valor: 09:00 – 10:30 – R$40,00

09:00 – 12:00 – R$60,00

Enquanto acontecem as oficinas dos adultos, a criançada também pode participar do evento e se divertir com a arte!

 

Mais informações e reservas: @frestacoletivo / Marina Hespanhol – 32 99826-2183

Post00_oficinafresta_RBAW0119

Oficinas do Fresta Coletivo

Dia: 16 de fevereiro de 2019.
Local: Regaliz – Rua Delfim Moreira, 126, Granbery.
Horário: Das 09h às 18h
Inscrições antecipadas: @frestacoletivo

 

Fotos: Marina Costa / Divulgação Fresta Coletivo.

Do papel para o tecido: o processo criativo da estamparia handmade

Reportagem por Larissa Portela e Paula Filgueiras

Observe o que te cerca neste exato momento. Aposto que em algum lugar, seja presente em uma roupa, sofá, almofada, bolsa ou parede você se deparou com alguma estampa, por mais discreta que seja. Tecidos de todas as cores, caimentos, pesos e texturas, que se comportam de formas distintas podem apresentar infinitas estampas. Todos eles, de alguma forma, traduzem algo para nossa percepção. Uma estampa, seja em qualquer dos objetos antes citados, também pode contar uma história sobre quem usa, quem idealizou ou produziu. O ciclo começa e não para mais.
O processo de criação de cada estampa depende de muitas etapas. É realizado minuciosamente pensando o cliente como um todo e visando atender suas necessidades em diversos aspectos, como nos ensina a designer de superfície Caroline Perillo, no Workshop de Estamparia Criativa, organizado pelo projeto Backstage.
Com a mão na tinta e no pincel, a primeira parte desse processo é idealizada. Depois de determinar a finalidade da estampa, é mãos à obra! Nesse momento a criatividade tem de fluir no seu tempo e o resultado no papel é a primeira etapa da técnica de estamparia handmade. Todo esse trabalho realizado manualmente propicia um ambiente muito tranquilo, como observaram todas as participantes do curso, isso acaba interferindo positivamente na apresentação final do trabalho.

Estamparia-criativa-paula-filgueiras-moda-sem-sacola (33)
Foto: Paula Filgueiras

“Liberdade no pincel”

Durante a oficina a designer deixou bem claro a importância de se arriscar no traço, sem medo de errar. É quase um processo de aprendizado terapêutico para se libertar do receio de criar algo a mão livre, porém um passo muito importante para a prática e aperfeiçoamento. A inspiração é infinita. Pode vir da natureza, viva ou morta, do movimento urbano ou de objetos sobre a mesa. A observação é um ponto chave.
A designer de moda Samara Danelon, participante da oficina, já trabalha com modelagem e nos contou que às vezes ficar muito focada em alcançar a perfeição do resultado final atrapalha o processo criativo e que no curso o incentivo foi fazer diferente. “A Carol nos deixou muito livres para encontrarmos nosso próprio estilo.”
Os processos ensinados no workshop foram embasados nas técnicas de aquarela e guache. Parecem simples, mas não se engane! Cada estilo exige técnicas diferentes, desde o papel utilizado até a forma de secagem de cada tinta.

Estamparia-criativa-paula-filgueiras-moda-sem-sacola (11)
Foto: Paula Filgueiras

“O desafio do designer de superfície é entender o outro e fazer o trabalho a partir deste entendimento”, afirma Carol Perillo.
Um ponto importante no processo de criação é saber para onde a estampa vai e onde ela será aplicada. A designer nos explicou que quando se lida com pessoas de diferentes partes do Brasil e também do mundo, começa-se a entender suas particularidades. A região, a cultura, o clima, entre outros fatores, têm influência direta na preferência de temas e cores. “O que funciona no norte do Brasil pode não funcionar no sudeste e vice e versa. Para criar uma estampa você precisa entender o outro”, explica Carol, que julga a empatia parte fundamental do relacionamento com o cliente.
Através da estamparia handmade vem a possibilidade de trabalhar com exclusividade e imprimir maior personalidade na criação, o que também depende de uma conexão com o outro para não se tornar um trabalho raso e sem convite a transformação.
Para que o trabalho seja finalizado com a mesma leveza dos desenhos impressos é importante ficar atento às formas de tingimento, já que o processo demanda o uso de muitos químicos prejudiciais ao meio ambiente. Caroline diz que seu trabalho não deixa de ser sustentável pois ela tenta fazer com que os clientes optem por utilizar técnicas menos agressivas com produtos mais naturais. O preço um pouco mais caro se justifica pela causa e também pelo fato de oferecer melhor qualidade e maior durabilidade.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA
Foto: Larissa Portela

Toda essa energia de conexão e empatia também estiveram presente nos bastidores do workshop. O projeto Backstage, de Ana Dessupoio, em parceria com o espaço Foca Office, foi o responsável por trazer a Carol diretamente de Belo Horizonte, para transmitir seus conhecimentos em estamparia handmade. Essa parceria vem da motivação em unir forças e movimentar o cenário da moda em Juiz de Fora.
A mensagem deixada no final do workshop é de que se você tem um projeto, se tem algo que gosta e quer correr atrás, não pode ter medo de arriscar! Muitas pessoas participaram do evento e nem todas eram da área. Ana incentiva: “O não a gente já tem. Se faz administração, tem que pensar: como podemos trazer a moda pro meu ramo? É não ter medo de errar e pensar o que vou adicionar dentro do meu contexto.”

Confira a cobertura fotográfica do Workshop acessando a galeria.

Entre os nós do Macramê

A partir de dois tipos de nós, é possível criar infinitas formas com as técnicas do Macramê. As peças feitas podem ser usadas na decoração de ambientes, em roupas de cama, mesa e banho, no vestuário e em bijuterias, bolsas e até calçados.

A artista Mariana Procópio encontrou a técnica há 10 anos: “Eu descobri através de um amigo que fazia pulseiras e me ensinou. Comecei fazendo acessórios clássicos e hoje eu já descobri o meu estilo, tem peças decorativas, às vezes quadros, em que a forma de tecer é todo o conceito da peça”. Ela conta que gosta de desenhos geométricos, simétricos, e de explorar tudo que a técnica possibilita. Para ela, o Macramê é primitivo e não demanda muitos materiais. Com a mão, o material (que pode ser qualquer tipo de fio que permita a amarração) e os dois pontos, “Macramê” e “Festonê”, pode-se criar outros pontos secundários e desenvolver peças variadas.

mariana-procópio-isabela-de-magalhães-moda-sem-sacola
Detalhe de uma das peças confeccionadas por Mariana Procópio.

Desde que descobriu a técnica, Mariana fica encantada com as surpresas que o Macramê proporciona. “O que você cria de regra lá no início, vai dar uma coisa lá embaixo que você não sabe o que é. Então você é sempre surpreendido. É uma paixão ver aquilo sendo construído na frente dos teus olhos.”

Hoje, a artista divide seu encantamento com os alunos da Escola Municipal Menelick de Carvalho, localizada no Bairro Retiro, em Juiz de Fora, onde teve a oportunidade de dar aulas voluntariamente para quase 50 crianças e adolescentes. Para ela, essa técnica conquista as pessoas. “Na escola todo mundo tem pulseira, eles são malucos no macramê! A minha proposta é que eles se desenvolvam a partir do macramê, não que necessariamente o macramê se desenvolva.” Mariana conta que, com o Macramê, é possível trabalhar a paciência, determinação, força de vontade. “Inicialmente, não é fácil mesmo, mas depois que os alunos vão conseguindo fazer, dá uma sensação muito legal pra eles, que estão conseguindo concluir alguma coisa.”

macrame-isabela-de-magalhães-moda-sem-sacola (21)
Mariana divide sua paixão pelo Macramê com alunos da Escola Municipal Menelick de Carvalho

Alguns alunos já estão se desenvolvendo muito e até inventando pontos. A ideia de dar aulas partiu de Mariana e foi recebida de braços abertos pela escola. “Eu sempre tive muita vontade de ensinar, mas de ensinar pra essa galera que não tem muitas possiblidades. E é uma coisa que eu sei que é muito conectada com o mundo jovem. Então eu achava que poderia ser de uso legal para eles, esse fato de ser fácil, de não precisar de ferramentas, da ferramenta ser a própria mão. De cara eles já amaram e eu faço campanhas para conseguir linha para eles e tudo”, conta.

A diretora da escola, Rozane Gomes Aleixo, contou que a recepção dos alunos foi ótima. “Nossa, os alunos aqui gostam muito de atividades manuais. Os que se destacam, podem, no futuro, fazer disso uma atividade financeira, e mesmo aqueles que não conseguirem, vão estar trabalhando as habilidades deles, o que é muito interessante. A gente vem trabalhando na valorização das atividades manuais assim, artísticas.”

macrame-isabela-de-magalhães-moda-sem-sacola (76)
Além de aprender a técnica, o grupo fortaleceu a amizade durante as aulas.

Nos dias de aula de Macramê, o clima é descontraído, mas a atividade é levada a sério. O grupo de alunos parece ter fortalecido os laços de amizade entre os nós das linhas, e, da mesma forma, a relação com a professora também é de cumplicidade e sintonia. “Tenho uma aluna, Carolina, ela já é rainha do macramê, ela já tem o dom, já faz altas coisas. E uma vez ela falou: ‘Professora, que isso, já fiz macramê na linha de varal lá em casa. Isso é pior que droga, é um vício!’. E eu chego na escola e ela me abraça dizendo: ‘Muito obrigada, quanta coisa boa você me ensina!’”.

A Moda Sem Sacola acompanhou de perto uma dessas aulas. Na galeria abaixo, você pode conferir os nossos registros. 

Este slideshow necessita de JavaScript.

Fotos: Isabela de Magalhães

Saiba mais na Revista Moda Sem Sacola