O encontro entre a moda e a arte nas criações de Emilie Flöge

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Moda é arte? A moda, como um fenômeno social, é uma expressão que nos mostra a imagem de seu tempo. Entre as definições de arte, encontramos a concepção de que arte é “construção, conhecimento e expressão”. É natural que os universos da moda e da arte se cruzem, provocando reflexões sobre a aparência, sobre a imagem do corpo e do indivíduo, sobre os tempos e modos de fazer, ou diretamente sendo fonte de referência mútua. A moda se alimenta da arte e vice-versa.

Em diversos momentos da história, podemos observar essa relação de forma explícita. Ainda na época do surgimento da Alta-Costura, próximo ao ano de 1850, o costureiro Charles Frederick Worth, considerado o “pai da alta-costura” se comparava a Delacroix e Ingres, revelando suas fontes de inspiração que estavam nos museus. Já no início do século XX, a estilista austríaca Emilie Flöge criava vestidos avant garde que inspiraram obras de arte.

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Emilie Louise Flöge nasceu no dia 30 de Agosto de 1874 em Viena. Começou sua carreira como costureira e tornou-se posteriormente designer de moda e empresária. Em 1904, ao lado de sua irmã Pauline, abriu uma loja-atelier de moda conhecida como Schwestern Flöge (Irmãs Flöge), localizada em uma das principais avenidas da capital austríaca. O atelier era ligado à Wiener Werkstätte, empresa que buscava trazer as ideias de renovação artística da Secessão de Viena para o design de objetos cotidianos.

O movimento conhecido como Secessão Vienense era formado por um grupo de 40 jovens intelectuais que eram contra os princípios conservadores das artes da época. A Secessão, fundada em 1897 e comandada pelo pintor simbolista Gustav Klimt, tinha o objetivo de unificar a pintura e as artes aplicadas, defendendo ideais que dialogavam com outros movimentos, como o art nouveau.

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Gustav Klimt e Emilie Flöge

A história diz que Klimt e Flöge eram grandes amigos e companheiros. A parceria rendeu clientes tanto para ela quanto para ele. Por trás de vários quadros de Klimt está Emilie, a criadora dos vestidos de estilo-mosaico eternizados nas pinturas, como por exemplo o vestido da obra “Retrato de Adele Bloch-Bauer” (1907).

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Retrato de Adele Bloch-bauer I

Os vestidos de Emilie eram feitos com tecidos vibrantes e coloridos, idealizados para serem usados sem espartilho – um choque para o conservadorismo vigente – pendiam livremente nos ombros, tinham mangas largas e eram confortáveis. Flöge foi fortemente inspirada pelo movimento feminista que pregava um estilo mais prático e confortável de se vestir.

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O estilo boêmio de Klimt também influenciou para as criações da estilista, consideradas “peculiares” para a época. Suas criações artísticas e ousadas não foram bem sucedidas nas vendas. Mas enquanto os vestidos mais convencionais vendiam melhor na Schwestern Flöge, Klimt pintava as damas da alta sociedade vienense vestindo as peças mais vanguardistas criadas por sua amiga.

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Retrato de Emilie Flöge, por Gustav Klimt (1902)

 

Texto: Isabela de Magalhães